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Analfabetismo na quarta edição: assunto velho-de-guerra que já andou passeando um pouco no fórum da SJ Games e outros fóruns menos sérios por aí. Ao que me parece não se chegou consensualmente a uma solução ideal (dessas que todos acham mó legal e passam a adotar). O grupo que se incomoda com isso acaba elaborando sua house-rule de acordo com o que mais lhe convém. Vamos dar uma olhada nesse assunto:
O lance é que, na terceira edição, 'Alfabetizado' era uma vantagem de 10 pontos em TLs baixos e 'Analfabeto' uma desvantagem de -10 pontos em TLs mais “recentes”. Na quarta edição, as regras passaram a ser sensíveis à gradação no processo no aprendizado (broken, accented, native), mas deixaram de ser sensíveis à questão do TL. Isso gera problemas. Ao construir um orc bárbaro-e-burro na 4ª ed. (vou passar a abreviar agora, beleza?) ele é automaticamente alfabetizado, e um personagem contemporâneo que seja analfabeto colherá não mais do que 3 pontos pelo seu analfabetismo. Nem preciso te convencer que, nos dias de hoje, qualquer desvantagens de 5 pontos é bem menos “desvantajosa” do que o analfabetismo de -3 pontos, preciso? Vou apresentar aqui duas possíveis soluções, e convido o leitor que já se incomodou com isso a nos dizer de que maneira solucionou a parada. Solução 1: Unusual Background Essa veio do fórum da SJ Games e foi aplaudida por ser simples e não demandar alteração alguma nas regras. Em uma campanha de TL – digamos, 3 – o personagem precisa pagar alguns pontos de Unusual Background se ele for alfabetizado e não tiver nenhuma vantagem que “justifique” isso (Status, Clerical Investment, etc.). Assim, um nobre ou um padre serão alfabetizados por padrão, mas um plebeu ou bárbaro-do-norte-que-grita-e-bate-a-mão-no-peito-e-usa-elmo-de-chifres serão incentivados a serem analfabetos na língua materna por -3 pontos. Perceba que, dessa forma, o mestre está estabelecendo que certas classes sociais são analfabetas por padrão, e está, na real, dando 3 pontos a mais para personagens dessas classes. Mestres mais muquiranas podem querer dar 147 pontos de personagem em uma campanha onde normalmente daria 150... Embora isso pareça mesquinho, tem sua lógica: sendo plebeu ou bárbaro, você provavelmente será analfabeto e terá todos os 150 pontos pra gastar; sendo nobre ou do clero, a alfabetização lhe sairá barata, mas não de graça. O custo sugerido de Unusual Background é de 5 pontos, mas eu já vi quem cobrasse 7, “que somados com os 3 da alfabetização, dão 10 e a coisa fica igual na 3ª ed.” Minha opinião? Cobrar 5 já tá bom demais. Essa solução parece que cobre bem o problema em TLs baixos, mas não dá conta de TLs altos (o personagem analfabeto contemporâneo continua recebendo só 3 pontos pelo seu analfabetismo...). Vamos então à segunda solução. Solução 2: Triplicando o valor da alfabetização Regra de aplicação bem simples: a alfabetização custa 3 vezes mais e ponto. Assim, o tal do analfabeto contemporâneo colherá 9 pontos por seu analfabetismo, e não 3 – o que está bem mais próximo do recorte da 3ª ed. – e ele ainda poderá ser semianalfabeto por -6 pontos ou “alfabetizado pero no mucho” por -3 pontos. A questão do TL, aqui, é só de estabelecer padrões: em TL 4 ou menos a língua materna a que o personagem tem direito sem custo algum não inclui alfabetização, que deve ser comprada por 3 pontos/nível (broken, accented, native). Em TL 5 ou mais a língua nativa inclui alfabetização, que pode ser “descomprada” para resgatar pontos (como uma desvantagem) na mesma razão de 3 por nível. Trata-se de uma solução bastante simples e mais marxista que a primeira: tanto o proletariado quanto a burguesia pagam o mesmo tanto pela alfabetização. Bonito, não?
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