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Episódio 1 - O contato
Escrito por Rune   
Sex, 20 de Fevereiro de 2009 16:31
Huck acordou com seu commlink tocando que nem louco. Se revirou na cama para alcançá-lo e olhou quem o incomodava tão cedo. Reconheceu o símbolo mágico que seu amigo James usa no lugar da foto para que não vejam sua cara feia e aceitou a chamada.
-Quem morreu para você me acordar tão cedo?
-Cedo, seu puto? Sabe que horas são? Já passa da uma da tarde, seu vagabundo!
-Vagabundo é o puto do seu pai que teve preguiça de te afogar quando você era só um verme bebê. O que você quer?
-Sabe aquele favor que me pediu?
-Sim.
-Achei o cara que pode te colocar no negócio. O nome dele é Fred, ele cuida dos negócios numa espelunca em Inkster chamada “A Noite”.
-Me passa as coordenadas.
-Não tenho, mas é perto da estação de Mag-Lev, não deve ser difícil de achar.
-Beleza, valeu.
-Me avisa como foi. Tenho que ir. Estou treinando uma coisa nova que aprendi. Passa aqui depois para ver.
-Pode deixar.
Huck levantou para tomar banho, seu commlink anunciou as principais notícias nas caixas de som do pequeno e sujo apartamento. Claro que nenhuma das notícias falava dos setores mais periféricos do Megaplexo Atlantis – que foram abandonados pelo governo e dominados pelo crime organizado – mas somente da parte em que a cidade é bem policiada, os cidadãos são felizes, as ruas são limpas e a tecnologia ajuda a vida das pessoas. Nos outros setores, aos quais Huck estava acostumado, as coisas são bem diferentes. As gangues molestam a população, a cidade é suja e nada vai melhorar por um bom tempo.
Depois do banho Huck comeu sua ração, que tinha gosto de nada, mas dá o suporte necessário para o corpo.
Usou seu commlink para navegar na matriz, a nova rede. Tudo passa por ela, as ligações, as transmissões de TV e rádio, trâmites bancários... praticamente tudo.
Para matar o tempo que tinha até a hora de ir para o night club Huck assistiu alguns jornais de “transmissão pirata” as notícias sobre as gangues e o sobre o seu setor enquanto limpava sua arma – uma pistola 10mm – e se lembrou mais uma vez de seu tio que o criou. Foi o tio que o ensinou a usar armas. Depois que ele se foi, assassinado por um membro de gangue, Huck decidiu virar runner para se virar. E agora sabia que Fred era o cara que ia fazer entrar nessa vida.
Seus pais foram mortos quando ele nasceu, e até pouco tempo atrás a vida deles um mistério para Huck. Seu tio nunca dizia nada sobre eles. Aliás, seu tio nunca dizia muita coisa além de “me pega uma cerveja” ou “vaza que eu quero descansar”.
Mas agora ele descobriu que seus pais eram runners. Descobriu que seu pai era um mago, e que ele, Huck, também tinha “o talento”. Mas há pouco ele descobriu isso e estava aprendendo umas magias com seu conhecido James.
Perto das 8 da noite ele saiu e foi para a estação de Mag-Lev, o transporte público mais rápido do Megaplexo. Tá certo que a propulsão magnética gera um tipo de magnetismo ou sei-lá-o-quê que causa câncer nas pessoas que moram perto dos trilhos, mas ninguém mora mais lá. A não ser alguns nômades, que não têm mais nenhum lugar pra viver, e por isso eles dividem o espaço vago com outras criaturas como ratos gigantes e outras coisas monstruosas.
Os Mag-Levs levam exatamente 5min para ir de uma estação para outra, sempre.
A publicidade neles geram milhares de nyenes, e rodam também nas áreas mais pobres e violentas somente porque são administrados por uma empresa particular (e não pelo governo, que há muito deixou essas áreas ao “Deus dará”).
Huck entra em um trem para a estação de Inkster e em precisos 5 minutos ele chega. Logo ao descer ele vê um orc musculoso e bem feio, mesmo para os padrões dos orcs, com uma metralhadora antinfantaria olhando os passageiros. Ninguém acha nada disso estranho, pois eles estão na área do Comando Zero e eles patrulham as ruas.
Mais para frente Huck vê um humano quase tão feio quanto o orc e com um fuzil na mão, a faixa vermelha em seu braço mostra que ele é do Comando Zero.
Huck sai da estação e pergunta para um moleque onde fica esse night club “A Noite”, o punk explica o caminho com um sorriso estranho para o terno e gravata de Huck.
Huck chega ao clube que fica em um grande armazém antigo.
Ele vai até o segurança, paga a entrada e depois da uma grana para o orc que controla a entrada:
-Preciso falar com o Fred.
-Pergunte para o bartender.
Quando Huck ia entrar o segurança o segura e pergunta:
-Você esta armado?
Huck hesita pensando se essa era uma pergunta retórica.
O orc entende.
-Você pode deixar suas armas aqui em um armário que alugamos para você, ou você pode entrar com elas e ser marcado.
-Marcado? - Huck não tinha entendido.
-Sim, passo uma tinta que só aparece com uma luz especial na sua nuca e braços. Se alguém começar uma confusão lá dentro acendemos as lâmpadas especiais e começas abater os idiotas marcados como ratos nos incineradores.
Depois de ser marcado Huck entra no club lotado, uma pista de dança toca uma música eletrônica extremamente rápida e alta, nas paredes telões mostram uma luta em ringue improvisado, no canto tem um bar bem movimentado que segue a parede até os fundos, nos fundos há uma porta a outro ambiente e Huck consegue ver que o ringue é lá.
O seu commlink recebe informações do lugar, Huck pode consultar o cardápio do bar, a programação de Djs, as lutas programadas para a noite e a media das apostas.
Ele vai até o bar, mas tem tantas pessoas atendendo que não sabe quem chamar, segura uma garçonete pelo braço e pergunta:
-Preciso falar com o Fred.
-Fale com o bartender.
-Qual deles?
-O careca.
Huck caminha até ele e o chama:
-Preciso falar com o Fred.
-Tem hora marcada?
-Não.
-Vai ter que esperar.
-Então me traz uma cerveja.
O careca pega o seu commlink e esta digitando alguma coisa quando um troll para ao lado de Huck e pergunta ao bartender:
-Como falo com o Fred?
A voz do troll é tão gutural que Huck consegue ouvir mesmo com aquele barulho.
O careca responde para o troll e ele acena com a cabeça.
O bartender serve a cerveja de Huck :
-Logo Fred vai falar com vocês.
Huck da uma olhada em volta e depois volta a olhar o troll, ele é grande, tem cerca de dois metros e meio e parece ser forte, mas não nem muito grande nem muito forte se compará-lo com outros trolls. Seus chifres são serrados perto da cabeça e isso é incomum.
Dentro de sua jaqueta Huck vê um coldre vazio e pensa na engenhosidade do sistema de “segurança” do club.
Depois de terminar sua cerveja ele chama o bartender careca:
-Vou esperar até quando?
-Ahh é... péra ai.
E ele mexe em seu commlink de novo.
-Vanessa, seja um amor e leve eles para falar com o Fred.
-Por aqui senhores.
Huck segue a garçonete vendo a pequena e redonda bunda da elfa andando e o troll vem logo atrás.
Eles passam pela cozinha rapidamente e sobem uma escada, seguem por um corredor sem nenhuma decoração e entram por uma porta de metal pintado de branco.
Chegam em uma sala com alguns sofás e uma porta do outro lado com um pequeno vidro para quem estiver dentro olhar para fora.
-Esperem aqui, por favor, senhores. – Se despede a elfa.
Huck da mais uma olhada no troll e decide que é melhor ficar calado.
Depois de um tempo esperando ele se levanta e da uma olhada na sala através do vidro na porta, ele vê uma sala bonita e bem mobiliada, um orc sentado de frente para ele conversa com um humano de cabelos roxos, o humano gesticula muito e o orc só concorda com a cabeça. O orc olha para Huck com uma expressão de dúvida e Huck para de olhar pelo vidro.
Depois de mais 10 minutos a porta se abre e o humano de cabelos roxos sai da sala.
O orc os chama:
-Por favor senhores, entrem.
Huck entra e percebe que só tem uma cadeira na sala, ele hesita um pouco, mas senta nela, o troll fica em pé encostado na parede.
-Ele é seu segurança? – Pergunta o orc a Huck.
-Não, não estamos juntos.
-Pois não cavalheiros, em que posso ser útil? – Fred dirige a pergunta aos dois.
-Bom, diz Huck, eu vim porque me disseram que você é o cara que pode me arrumar corridas.
-Ahhh, e você Sr. Troll?
-Eu também preciso fazer umas corridas, reponde o troll com sua voz gutural.
-Perfeitamente cavalheiros, e para quais tipos de serviço vocês estão qualificados, o que sabem fazer?
-Eu sou bom em uma briga e também atiro bem, diz o troll.
-Muito bem, linha de frente então? Sempre aparece serviço para pessoas como você. E o senhor, quais as suas qualidades profissionais?
-Bom, responde Huck, eu também sou bom com tiro e ultimamente estou apreendendo magias.
-Ora, é um mago, então? Isso é muito bom, magos nunca ficam desempregados. Em qual tipo de magia o Sr. esta se especializando?
-Estou aprendendo magias para controlar o corpo.
-Entendo, então o senhor também seria linha de frente, pois além de saber atirar suas magias são bem úteis em situações de conflito. Para ser honesto esse tipo de magia só ira lhe ajudar a fazer um bom nome como pistoleiro, e não como um mago. Não que ser só um pistoleiro não seja uma coisa boa, pelo contrário, mas se o senhor tivesse magias de curar, por exemplo, só esse fato já te garantiria uma boa carreira, desde que você cumprisse as corridas sem morrer.
-Mas, continuou o orc, isso não vem ao caso, como ainda não conheço os senhores e não sei até aonde vão as suas habilidades, primeiramente terei que colocar vocês em corridas simples, fáceis. Espero que os senhores não se ofendam com esse fato, mas temos que fazer assim, pois quando recomendo vocês para um serviço não é só a reputação de vocês que esta em jogo, a minha também.
-Por favor, escrevam seus codinomes e contato que assim que eu tiver uma corrida para vocês eu aviso.
Huck e o troll escreveram e devolveram o papel ao orc que leu: Greg e ... Fuck?
Huck confirmou com a cabeça e o orc deu um sorriso malandro.
-Bom senhores, logo entrarei em contato, agora se me dão licença tenho outras reuniões essa noite.
Huck e o troll desceram de volta para a balada, e Huck pensou como era educado o orc – não é o que ele esperava para um fixer – e decidiu ir assistir as lutas.
Depois de algumas cervejas, Huck viu que Greg, o troll, entrou no ringue e como achou que o troll era bom de briga ele apostou ¥30,00 em nele.
Greg ganhou a luta, mas apanhou bastante também por isso não lutou mais.
Huck ficou apostando e bebendo até acabar com o dinheiro que ele ganhou com a luta de Greg.
Tags Rune - Contos - Shadowrun
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